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1 de mar de 2012

Coitada da Gramática

O decreto que cancela o concurso público na Câmara de Vereadores de Guarapuava parece ter cancelado também a aplicação da Gramática. O documento, disponível em http://www.pmg.pr.gov.br/boletins/Boletim.Oficial.776.pdf, é um festival de equívocos. É de se imaginar como seriam as provas...

13 de fev de 2012

O nariz cresce, prefeito

Prestes a completar um ano, Circulando registra mais de 15 mil acessos. A coluna andou de férias uns dias mas voltou. E se deparou com uma nota publicada na Rede Sul de Notícias (RSN) na qual se informa que o prefeito Fernando Carli teria dito que adora estar no meio do povo. O mesmo Carli que foi se esconder em Ponta Grossa para fazer curso de reciclagem para renovar a CNH, distintamente do ministro Paulo Bernardo, que teve a honradez até conceder entrevista admitindo que havia falhado nas questões pessoais de trânsito e que, sim, estava fazendo curso à vista de todos. 


Pois esta declaração de Carli me fez lembrar de uma famosa série de edições do Jornal da Tarde (JT) nos anos 80, na qual o nariz do então governador Paulo Maluf crescia a cada edição (na capa do diário), por conta dos prejuízos da Paulipetro, uma estatal que ele criara. Maluf assegurava que extrairia petróleo em SP. Acabou seu mandato e nada - exceto pelo enorme nariz de pinóquio no JT. Carli diz que adora estar no meio do povo e dá a entender que esta sua predileção só vai crescer (ano eleitoral, bobinho). Que falta faz um JT em Guarapuava.

11 de dez de 2011

Perdeu de novo, Mourinho Carli




Real Madrid 1 x 3 Barcelona. Pepe, o tosco zagueiro madrilenho, perdeu quase todas as jogadas na partida de sábado, 10 de dezembro. Perdeu para Xavi, Iniesta e, sobretudo, Messi. A cada encontro com o Barcelona é assim: Pepe perde todas. E José Mourinho, o treinador do Real, fica emburrado, imóvel e incapaz de reorganizar seu time.
Certa vez, escrevi aqui na Circulando que o prefeito Fernando Carli (aquele que foi renovar a carteira de motorista em Ponta Grossa) estava mais para José Mourinho do que Josep Guardiola (o treinador barcelonista). E que, na administração municipal de Guarapuava, havia um Pepe. Assim como um Cristiano Ronaldo, aquele que sempre quer brilhar sozinho. “Uma nova aula de futebol do melhor time de futebol do mundo”, disse o comentarista esportivo Paulo Vinícius Coelho, o PVC, ao final da disputa de sábado.
Infelizmente, Guarapuava está cada vez mais para Real Madrid do que para Barcelona. Ao contrário de Toledo, Cascavel, Maringá, Pato Branco, dentre outras cidades. A situação local é tão triste que até o que parece ser uma excelente ideia acaba se tornando algo duvidoso: quem montou a ciclovia da avenida Manoel Ribas permite que dezenas de automóveis estacionem no espaço destinado aos ciclistas. Não fosse isso suficiente, não raro alguns ônibus da empresa Pérola do Oeste invadem temporariamente a ciclovia, como presenciei na quinta-feira passada (o modo Pérola do Oeste de dirigir, aliás, merece um bom artigo aqui, tamanhas as barbaridades que já vi).
Passo pelo site da Prefeitura, na expectativa de algum lance a la Barcelona, e o que vejo é assistencialismo puro, como coquetéis em vários bairros promovidos pelo Executivo Municipal. Fernando Carli, enfim, insiste em ser um perdedor. José Mourinho, outro derrotado, sempre atribui as pancadas que sofre do Barcelona à falta de sorte. O Real Madrid necessita mais do que sorte. Guarapuava também.

22 de nov de 2011

Vai uma pimentinha aí, Acig?

Semanas atrás, a Associação Comercial e Industrial de Guarapuava, a Acig, lançou a campanha 'Guarapuava: eu vivo aqui, eu compro aqui'. Logo escrevi que era uma campanha meramente paternalista e que a entidade, na realidade, deveria se preocupar em estimular a formação de um comércio mais capacitado a atender o público e suas expectativas, aí incluindo cumprimento de prazos por parte dos comerciantes, por exemplo. 


Pois não é que nem a Acig acredita na sua própria campanha? Um leitor bastante atento de Circulando enviou e-mail ao blog informando que a revista oficial da Acig é impressa em outra cidade. Em Londrina!


Decididamente, pimenta nos olhos dos outros é refresco. A Acig que o diga. Que explicação razoável a entidade deve ter para lançar uma campanha assim e não realizar a tarefa de casa, preferindo prestigiar (para utilizar um chavão do comércio assistencialista) uma empresa de Londrina?


Dito isso, conto o que segue para reforçar minhas palavras primeiras: no começo de setembro, comprei um móvel em uma respeitável loja do centro da cidade. Na cópia do pedido que recebi, dizia que a peça seria entregue em 30 dias. Deixei um cheque aos cuidados da gerência, no valor exato da compra. Um mês depois, nada da entrega. Nada de satisfação alguma sobre as razões do atraso. Quase dois meses depois, depois de alguma insistência em obter algum retorno confiável, a loja informou que somente uma parte do móvel (composto de madeira e vidro) havia sido entregue pelo fabricante. E que não havia previsão para a chegada do restante.


Mas, ainda que estivesse com atraso no prazo prometido (e sem perspectiva confiável de resolver o caso), eis que tiro um extrato da minha conta bancária e descubro que, claro, a loja havia descontado o cheque no prazo inicial - ainda que, reitero, nada de entregar o móvel. Ligo lá e solicito a devolução do dinheiro. A atendente diz que a gerente vai retornar minha ligação. Obviamente, a gerente não o faz. Horas depois, já na sede da empresa, a mesma gerente informa que (quanta coincidência) a parte complementar do móvel havia acabado de chegar.


Três dias depois (ou seja, um mês após a previsão inicial e 20 dias após haver recebido pagamento), a entrega finalmente se dá. Ou melhor, quase se deu: na hora da entrega, verifica-se que a loja havia encomendado a peça com as medidas erradas. Só então depois desta nova trapalhada é que a loja resolveu devolver a quantia paga. Por estes dias, a mesma gerência andou informando que o móvel com as dimensões corretas deve chegar em breve. São Tomé já está na soleira da porta esperando.


E esta é apenas uma das mancadas sobre as quais a Acig deveria se debruçar, pois são recorrentes em boa parte do comércio local. Mas, antes disso, a entidade deve trocar seu telhado de vidro, caso ainda queira depositar algum crédito na sua própria campanha. 

2 de nov de 2011

Na Câmara de Guarapuava, só o circo


O cenário é bastante claro e o restante, conversa fiada: a sessão desta segunda-feira, 31, da Câmara de Vereadores acabou se tornando um fiasco para o Parlamento local, com vereadores respeitáveis lavando as mãos, vereadores sob suspeita absolutamente calados (a expressão de Sadi Federle dizia tudo) e vereadores amorfos sendo... amorfos. Não fosse isso o suficiente, um não soube nem debater com a plateia (Gilson Amaral), outro conseguiu ser vaiado ao extremo (Elcio Melhem) e terceiro (integrante do rol de investigados, João Napoleão) presidindo a sessão – fato que talvez tenha sido o acontecimento mais escandaloso da tarde, muito mais do que o inexplicável chilique que o próprio Napoleão teve para com a colega Eva.
Foram 60 minutos vergonhosos. Melhem comparou Admir Strechar (o vereador detido) a Jesus Cristo. Não bastasse ter encarnado o papel de Pôncio Pilatos, ainda aconselhou Napoleão a abrir as portas do Legislativo para o público que estava lá fora – fazendo preencher o auditório para bem além da sua capacidade, o que contraria qualquer regra de segurança (aliás, onde estava o comando da PM naquele momento, que permitiu isso?). A PM, ao final, teve a patética atitude de postar uma linha de policiais para isolar os vereadores do restante da população, quando a dispersão já havia ocorrido. Vai entender: concordância para com um auditório lotado e firmeza na hora de proteger os parlamentares (como se alguém fosse tentar algo...).
Sobre a Roma Antiga, há quem diga que um dos Césares dava pão e circo à população. Na Câmara de Guarapuava, boa parte dos vereadores só oferta o circo.  

25 de out de 2011

Carli, o prefeito Bozó


Mauro Claudio Temoschko, claro, pode dizer publicamente o que bem entender. Mas, volta e meia, abre a boca e dá uma bola fora. Raramente, ocorre o contrário. E não é que, nos últimos dias, Temoschko acertou uma? O sujeito disse à Rede Sul de Notícias (RSN) que o prefeito de Ponta Grossa, Fernando Carli, andou pelas cercanias da Rodoviária de Guarapuava e algumas pessoas foram cumprimentá-lo e tirar fotos. 'Parecia um ator da Globo', comparou o secretário de Indústria e Comércio (ainda que pouco se saiba sobre o seu desempenho à frente da pasta).
Bingo: Carli parece mesmo um ator da Globo, só que o Bozó, aquele personagem do Chico Anysio que se fazia passar por alguém importante da TV. Ultimamente, eu vinha acreditando que, ao deixar o cargo, Carli iria fincar palanque lá no cavalo-hipopótamo da avenida Manoel Ribas. Errei: Carli quer mesmo é ser o Bozó, se depender das palavras de Temoschko.
Guarapuava está ficando para trás por não ter um prefeito. Ou, em outras palavras, por ter um prefeito Bozó. Quem passa pelo site do Município pode perceber que a notícia mais importante ali nos últimos dias é a participação do sujeito na inauguração de uma pista de bolão. Enquanto Pato Branco reforça seu polo tecnológico e Maringá faz uma revolução urbana impressionante, Carli vai para o bolão. Enquanto Sulina investe em turismo de águas termais, Guarapuava não tem um folhetinho sobre as atrações da cidade. Enquanto Irati aplica em cultura, Guarapuava não tem nem uma secretaria na área.
Obviamente, uma parcela significativa da população local tem sua cota de responsabilidade, por ter apoiado e ainda acreditar em um político assim tão desqualificado e que debocha rotineiramente da parcela que nele não votou no pleito mais recente. Nestas horas, relembro as palavras de um grupo liderado por Michel Foucault, sobre o valor do trabalho, qualificado por ele e seus parceiros como sendo 'aquilo que é suscetível de introduzir uma diferença significativa no campo do Saber, ao preço de um certo esforço para o autor e para o leitor, e com a eventual recompensa de um certo prazer, isto é, de um acesso a uma outra figura da verdade'.
Em Guarapuava, o valor do trabalho não é medido pela concepção de Foucault, mas de Bozó Carli. 

18 de out de 2011

Passo firme

Blog Circulando ultrapassou a marca dos 11 mil acessos ontem...

Me caiu os butiás do bolso V: tem é que tirar proveito do Governo

Segunda-feira, 17 de outubro de 2011, 21h, em um badalado ponto gastronômico do centro da cidade, um empresário local do ramo imobiliário dá dicas a um cliente em potencial: o terreno lá custa tanto, a casa nova aqui terá tantos metros e assim por diante. Levemente interessado, o cliente em potencial (sujeito aparentemente da classe média alta) ouve de seu interlocutor: se você mascarar um pouco sua declaração de Imposto de Renda, poderá entrar nesta linha de financiamentos de moradias populares do Governo Federal. Tem é que tirar proveito do Governo.
Em outras palavras, enquanto a Acig faz a campanha adocicada 'eu vivo aqui, eu compro aqui', há empresário que pensa que bão memo é tirar proveito do Governo.

5 de out de 2011

As câmeras continuam lá

Enquanto algumas praças da cidade vão sendo tomadas por certas figuras consumidoras de certos tipos de produtos ilegais, o local mais vigiado de Guarapuava continua sendo o cavalo da Manoel Ribas.

30 de set de 2011

Me caiu os butiás do bolso IV: Guarapuava fica de fora

Um leitor atento e fiel de Circulando cantou a pedra: Guarapuava não sediará nenhuma das conferências regionais sobre Trabalho e Emprego Decente, que acontecem agora em outubro - em Cascavel, Maringá, Londrina, Curitiba e Ponta Grossa. Estes encontros publicos são preparatórios à etapa estadual e à etapa nacional (2012, em Brasília). 

Se quiser participar, Guarapuava terá de ir a reboque de Ponta Grossa, onde ocorrerá a regional Centro-Sul. Os deputados estaduais e demais lideranças do município, como diz o jargão, comeram bola. Feio. Claro que muitos vão dizer que pode se tratar de uma visão bairrista esta de querer alocar em Guarapuava um dos encontros mas, para uma cidade que passa pelo melhor momento econômico de sua vida (na interpretação do prefeito de Ponta Grossa, Fernando Carli), ir a reboque não é nada bom. 

O fato é que, descontando os delírios do prefeito de Ponta Grossa (e de seus asseclas), a economia local merece atenção: poucas horas atrás, vi uma excelente apresentação de uma administradora que mora em Guarapuava informando que a cidade tem 115 empresas atuando no setor da madeira e que, enquanto o mundo se volta cada vez com mais força para o MDF, a cadeia produtiva local é especializada em compensados. Ou seja, o cenário para os próximos anos, neste segmento, parece não ser nada, nada, nada bom para o empresariado local.

Não bastasse isso, a Secretaria de Turismo de Guarapuava (a inoperante Secretaria de Turismo, aliás) anunciou solenemente esta semana que não consegue administrar o Parque do Jordão, um lugar em franca degradação. Tal qual o Leão da Montanha (lembram deste desenho animado?), o titular da pasta saiu candidamente pela direita: neste caso, a saída está em Brasília, onde o sujeito quer ir arrumar dinheiro. Fácil assim.

Enfim, enquanto certas cidades e lideranças assumem com coragem e excelência seus papéis, anoitece em certas regiões...