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25 de out de 2011

Carli, o prefeito Bozó


Mauro Claudio Temoschko, claro, pode dizer publicamente o que bem entender. Mas, volta e meia, abre a boca e dá uma bola fora. Raramente, ocorre o contrário. E não é que, nos últimos dias, Temoschko acertou uma? O sujeito disse à Rede Sul de Notícias (RSN) que o prefeito de Ponta Grossa, Fernando Carli, andou pelas cercanias da Rodoviária de Guarapuava e algumas pessoas foram cumprimentá-lo e tirar fotos. 'Parecia um ator da Globo', comparou o secretário de Indústria e Comércio (ainda que pouco se saiba sobre o seu desempenho à frente da pasta).
Bingo: Carli parece mesmo um ator da Globo, só que o Bozó, aquele personagem do Chico Anysio que se fazia passar por alguém importante da TV. Ultimamente, eu vinha acreditando que, ao deixar o cargo, Carli iria fincar palanque lá no cavalo-hipopótamo da avenida Manoel Ribas. Errei: Carli quer mesmo é ser o Bozó, se depender das palavras de Temoschko.
Guarapuava está ficando para trás por não ter um prefeito. Ou, em outras palavras, por ter um prefeito Bozó. Quem passa pelo site do Município pode perceber que a notícia mais importante ali nos últimos dias é a participação do sujeito na inauguração de uma pista de bolão. Enquanto Pato Branco reforça seu polo tecnológico e Maringá faz uma revolução urbana impressionante, Carli vai para o bolão. Enquanto Sulina investe em turismo de águas termais, Guarapuava não tem um folhetinho sobre as atrações da cidade. Enquanto Irati aplica em cultura, Guarapuava não tem nem uma secretaria na área.
Obviamente, uma parcela significativa da população local tem sua cota de responsabilidade, por ter apoiado e ainda acreditar em um político assim tão desqualificado e que debocha rotineiramente da parcela que nele não votou no pleito mais recente. Nestas horas, relembro as palavras de um grupo liderado por Michel Foucault, sobre o valor do trabalho, qualificado por ele e seus parceiros como sendo 'aquilo que é suscetível de introduzir uma diferença significativa no campo do Saber, ao preço de um certo esforço para o autor e para o leitor, e com a eventual recompensa de um certo prazer, isto é, de um acesso a uma outra figura da verdade'.
Em Guarapuava, o valor do trabalho não é medido pela concepção de Foucault, mas de Bozó Carli. 

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